Para irem sabendo de mim...

16 novembro 2008

Estou tão mudada (4)

Embora não levasse muita fé, aceitei o desafio. Corro meia hora, três vezes por semana. Por enquanto é dentro de portas. Na Primavera vou ter o Charles por companhia. Talvez alterne margens: Boston com vista de Cambridge ou Cambridge com vista de Boston?

15 novembro 2008

Começo a pensar nos abraços apertados- confirmação física das saudades. Anseio o embalo da conversa, beber-lhes as novidades, preencher-me com a familiaridade.

07 novembro 2008

Do grande dia

Respira-se um ar mais leve por estes lados. Depois da expectativa global, o alívio e entusiasmo são quase palpáveis de tão intensos. Tive o prazer emocionado de celebrar com eles a grande vitória. Transpira a certeza da mudança de rumo e a esperança de uma América melhor. Yes we can, disse ele e gritaram todos. Please do! respondo eu.

18 outubro 2008

Blindness

Descrevo o filme (aqui) apenas como muito fiel ao livro, e isso já diz tudo. Igual dureza, igual encanto. As mesma três cenas de uma beleza genuína que me despertam simultaneamente um choro previligiado de poucas lágrimas e um sorriso límpido. A nobreza da mulher, a dignidade das mulheres, a simplicidade do cão. Digiro lentamente, saboreio aos poucos. Indelével, sei que me vai acompanhar por toda a vida.

16 outubro 2008

O beijo

Começou por ser marcador de livro. O beijo dele veio de Viena, trazido pela mãe. Agora faz também parte de uma parede do quarto.

15 outubro 2008

Extasiados com as cores do Outono.

07 outubro 2008

Metáfora

No sobressaltado último ano e meio mudei de casa seis vezes. Abandonei tralha, desfiz-me de papelada, deixei recordações para trás. O meu passado mora, bem guardado, em duas estantes na casa da mãe. No quarto de paredes esconsas e duas grandes janelas vivo rodeada da minha riqueza: dois mini-cactos, uma aboborinha, uma pinha e uma concha. Contas feitas à vida, fiquei com o essencial.

27 setembro 2008

Do tão esperado debate

Na casa de uma jovem família americana, acompanhada por mais americanos, pizza e cerveja, assisti ao debate. Segui com atenção e fui sorrindo face aos comentários dos meus companheiros de audiência. Vivo rodeada de uma elite que não hesita em criticar McCain e apoiar Obama. Temos muito chão em comum, mas diferenças profundas que, de tão fundamentais, não sei se lhes hei de chamar culturais.
Gosto do Obama, pronto. Gosto da postura, da visão a cinzento (em oposição à arrogância do preto e branco), da maneira como expõe as suas ideias, mas... Não me convence. Queria mais. Queria-o mais suculento, mais recheado de ideais. Chamem-me ingénua ou pouco pragmática, mas quando o oiço traduzir a sua discordância face à guerra do Iraque em custos de biliões de dólares para a economia americana em vez de aclamar questões de princípio, tremo por dentro. Já agora, a demagogia da bracelete da mãe do soldado e o pai queniano que o fez acreditar no sonho americano também eram escusados...

24 setembro 2008

Friozinho na barriga


Aqui é dia, mas lá já é noite. Enquanto escrevo, entre o dia e a noite, ela estreia-se.

23 setembro 2008

O preço da opção

A avó está a envelhecer depressa, disse-me num tom que tenta desdramatizar a coisa. É a vida, acrescentou. Desde então trago o coração apertadinho. A minha avó está a envelhecer depressa e eu não estou lá. O meu irmão galopa a adolescência e eu acompanho só de longe. A minha mãe enche-se de coragem para um novo ano e eu apenas lhe oiço os receios. O meu pai volta à rotina, oiço-lhe o desabafo mas não lhe dou alento ao jantar. A centenária da família acabou por ir e o meu abraço foi só virtual. O meu cãozinho teve pulgas que lhe fizeram alergia e não fui eu que o levei ao doutor. O dia da grande estreia é já na quinta-feira e eu não vou estar na primeira fila. Eu estou muito feliz aqui, mas não estou lá.

20 setembro 2008

Ao estilo de Cambridge (2)

Calço luvas e uso gorro de lã em Setembro. Prometo (esforçar-me para) não passar o inverno a reclamar do frio.

Tendência

Outono 2008: tons ratinho

16 setembro 2008

Think big

Não funciono a grande escala. Preciso de objectivinhos e de sucessos sucessivos, mesmo que pequenos. De tanto lidar com populações, o muito do mesmo dá-me um certo conforto, uma sensação de missão cumprida, de dia ganho. Reprogramo-me. Por enquanto quero um gene. Só um, mas em grande. Um daqueles que se medem às kilobases. Em breve vou querer todos. Terei o charme de uma garota genómica.

10 setembro 2008

Num precioso segundo

Olho-me no espelho e reconheço-me. Quase diariamente paro. Não é planeado, acontece. Um segundo chega-me para recapitular o filme da minha vida e fazer o balanço do aqui e agora. A vidinha corre-me bem. Sábado ao almoço, em tom de cumplicidade feminina e enquanto a família jogava à bola, fez-me prometer ser fiel a mim mesma e previu-me, tão assertivamente que me soou a promessa, um pico bem mais alto na escala da vida. Lembro-me, mas mesmo assim acredito.

06 setembro 2008

Conjugação da minha vida

Deixámo-nos, deixaram-me, deixei-o.

29 agosto 2008

Disse o Obama “America, we are better than these last eight years. We are a better country than this.” Do lado de cá, eu acredito.

26 agosto 2008

Modestamente tudo

Cabeça arrumada e contas feitas à vida, a minha angústia resume-se agora a um único pensamento: como pude eu, depois de ter tido tanto, achar-me feliz com tão pouco? Agora que me começo a meter noutra, revejo-me na declaração de princípios de José Saramago para a sua Fundação "Como se vê, não vos peço muito, mas peço-vos tudo." É que eu da vida também não espero muito, quero simplesmente tudo.

15 agosto 2008

Porque sim

Tudo o que aqui se escreve é pensado e repensado. Às vezes hesito, outras desisto. Não sei bem porque escrevo. É verdade que se vão contando novidades por aqui, mas muitas (as mais importantes?) não passam pelo crivo. Ficam retidas ou são só privilégio de alguns. Acima de tudo escrevo despida de pretensão. Não sei o quero que isto seja, não espero nada desta escrita. Escrevo porque sim.

08 agosto 2008

Gone with the rain

Por esta altura cruza o Atlântico. Provou e aprovou a cidade, os lugares, o laboratório e os amigos. Não é que tenha dúvidas- pelo menos por enquanto, este é o meu lugar- mas esta confirmação deixa-me (nos) mais descansada.
Hoje sinto a falta de alguém que me espera em casa ao fim-do-dia e estranho o quarto, de tão vazio e arrumado.
Amanhã começa uma nova temporada. Estou oficialmente de volta (cheia de vontade) à rotina intensa.